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Antonio Austregésilo Rodrigues Lima (Cadeira No. 11)

Membro Titular

Secção de Medicina

Patrono da Cadeira No. 11

Eleito: 04/09/1903 - Posse: 10/09/1903 - Sob a presidência de Joaquim Pinto Portella

Saudado por: Carlos Pinto Seidl

Emérito: 22/08/1929

Falecido: 23/12/1960

Presidente da Academia Nacional de Medicina - 1934 a 1937, 1945 a 1947 e 1949 a 1951

Dr. Antônio Austregésilo Rodrigues de Lima nasceu em Recife, capital do Estado de Pernambuco, no dia 21 de abril de 1876, filho do advogado José Austregésilo Rodrigues de Lima e de Maria Adelaide Feitosa Lima.

Aos 16 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde doutorou-se em Medicina, em 1899, pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, defendendo tese intitulada “Estudo clínico do delírio”. Ainda estudante, serviu como auxiliar na comissão médica que combateu a epidemia de cólera no Vale do Paraíba, em 1896. Frequentou, como interno, a enfermaria chefiada pelo Prof. Francisco de Castro e, em 1901, trabalhou com o Dr. Miguel Couto.

Foi eleito Membro Titular da Academia Nacional de Medicina em 4 de setembro de 1903. Ocupou vários cargos na diretoria e tornou-se Emérito em 22 de agosto de 1929. Foi Vice-Presidente entre 1933 e 1934 e Presidente nos biênios 1935/37, 1945/47 e 1949/51. É o Patrono da Cadeira 11.

Em sua primeira viagem à Europa, frequentou, na França, os serviços de Widal, Babinski e Dejorine, e, na Alemanha, os de Krause e Oppenheim. Posteriormente, já como professor consagrado de Neurologia no Brasil, visitou outros serviços de Neurologia e Neurocirurgia, particularmente nos Estados Unidos da América

Em 1909, foi designado Professor substituto de Clínica Médica, Patologia Interna e Clínica Propedêutica e, em 1912, Professor Catedrático da recém-criada Cadeira de Neurologia da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro (atual UFRJ). Foi, ainda, Professor Honorário da Faculdade de Medicina de Pernambuco.

O Dr. Austregésilo foi Chefe da Seção Pinel do Hospício Nacional, onde criou e desenvolveu notável núcleo de estudos e ensino médico. Instalou a Clínica Neurológica na 20ª enfermaria do Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro, ficando esse serviço clínico dividido em dois setores: Clínica Médica e Neurologia. Juntamente com os médicos Adauto Botelho, Pernambuco Filho e Ulysses Viana, fundou o Sanatório Botafogo. Foi, também, médico da Policlínica de Botafogo.

É considerado o pioneiro da Neurologia e do estudo dos distúrbios do movimento no Brasil. Uma das contribuições mais lembradas de Antônio Austregésilo é o sinal semiológico que leva seu nome e do médico Faustino Esposel. O sinal de Austregésilo-Esposel é considerado um dos substitutos do sinal de Babinski (reflexo plantar) e foi publicado em 1912, no periódico L'Encéphale.

Austregésilo foi o introdutor e divulgador no Brasil de dois tratamentos para a síndrome parkinsoniana: o uso de escopolamina e a fórmula criada por Roemer, com o uso de sulfato de atropina. Este tratamento foi sugerido no artigo intitulado: "O tratamento atropínico da síndrome parkinsoniana" publicado em 1945.

Dirigiu o Instituto de Neuropatologia da Assistência a Psicopatas e os “Arquivos Brasileiros de Neurologia e Psiquiatria”. Foi Membro da Sociedade Brasileira de Neurologia, Psiquiatria e Medicina legal e da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e Sifilografia, da Sociedade Brasileira de Criminologia, da Sociedade Brasileira de Educação, da Sociedade de Neurologia de Paris, da Sociedade Médica de Lisboa, da Sociedade de Psiquiatria de Paris e da Sociedade de Neurologistas da Alemanha.

Além disso, foi Membro Honorário da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, da Sociedade Médica de Pernambuco, da Sociedade de Medicina do Rio Grande do Sul, da Sociedade de Medicina de Niterói e da Academia de Medicina de Buenos Aires. Representou o Brasil em vários Congressos Internacionais de Medicina, de Neurologia e de Psiquiatria. Foi condecorado com a Medalha da Ordem de Santiago da Torre e Espada de Portugal, a Medalha da Ordem da Coroa da Romênia e a Medalha da Legião de Honra da França.

Em 1928, após retornar de viagem aos Estados Unidos, impressionado com a resolução diagnóstica e os resultados obtidos nos Serviços de Neurocirurgia de Harvey Cushing e Charles Frazier, designou, inicialmente, o cirurgião Augusto Brandão Filho, codenominado “príncipe dos cirurgiões” e, logo depois, Alfredo Alberto Pereira Monteiro e seu assistente, José Ribeiro Portugal, a iniciarem oficialmente o que veio a ser a Escola de Neurocirurgia Brasileira. Deve-se ressaltar seu dileto discípulo que o acompanhou até o final: Antonio Rodrigues de Mello.

Desde cedo trazia o pendor para a literatura. Ainda em sua terra natal, participou, precocemente, do movimento literário e artístico da Escola de Recife. Ingressou na Academia Brasileira de Letras, em 1914, tendo sido seu Presidente, em 1939.

Na política, foi Deputado Federal por Pernambuco, de 1922 até 1930.

Autor de várias obras, não só científicas, mas também de caráter literário, foi colaborador efetivo do periódico “Brasil Médico” e das revistas “A Noite”, “Revista Médica de São Paulo e da “Revista de Medicina”. Publicou, também, muitos trabalhos em jornais médicos brasileiros, franceses, alemães, americanos, espanhóis e argentinos.

Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, aos 84 anos, no dia 23 de dezembro de 1960.

O Salão Nobre da ANM leva o seu nome.