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A epidemia silenciosa da Hepatite C

Quem já passou por transfusão de sangue antes de 1992 e sofre de fadiga, cansaço, astenia e/ou mal-estar, deve fazer o exame sorológico para Hepatite C. O alerta foi dado na sessão da ANM de 26 de setembro, pelo Dr. Carlos Eduardo Brandão Mello, professor da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Antes desta data, não era feita a triagem para a doença nos bancos de sangue e, como o vírus pode permanecer latente no organismo por muitos anos, é estimado que cerca de três milhões de brasileiros estejam infectados.

Apesar de evoluir de forma lenta e, muitas vezes, assintomática, a infecção por hepatite C (junto com o alcoolismo) está entre as principais causadoras de cirrose hepática e câncer de fígado, sendo a principal responsável pelas indicações de transplante hepático. O Dr. Brandão explicou que cerca de 20% dos casos se curam espontaneamente e 80% evoluem para uma doença crônica. O diagnóstico é sorológico, mas em seguida deve ser avaliado o grau de fibrose do fígado, por meio de biópsia, ou por um novo aparelho de diagnóstico por imagem, chamado Fibroscan, que é bastante sensível.

O tratamento para a Hepatite C teve grande avanço nos últimos anos, mas ainda é feito com o Interferon (em associação a outras drogas). “O ideal seria conseguirmos chegar a uma fórmula sem Interferon, pois ele tem efeitos colaterais como anemia e surtos psicóticos, sendo contraindicado a pacientes que sofrem de depressão.”, explicou. Além disso, também existe uma fração de pacientes que não responde ao tratamento. Por isso, existem inúmeros grupos de pesquisa em todo o mundo que buscam por novas alternativas no combate à doença. Uma aposta do Dr. Brandão é na nova droga Sofosbuvir, que ainda está sendo estudada, mas que parece obter 100% de cura, mesmo sem uso do Interferon.


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