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Desafios no diagnóstico e tratamento do câncer de tireóide

Diante da dificuldade em torno do diagnóstico e tratamento dos cânceres de tireoide, a ANM promoveu, no dia 22 de agosto de 2013, um mini Simpósio sobre Nódulo Tireoidiano. Nele, a radiologista Suzana Cavallieri esclareceu sobre questões fundamentais da classificação e avaliação por imagem, o acadêmico Carlos Alberto Basílio de Oliveira apresentou as vantagens da punção aspirativa com agulha fina; o cirurgião Roberto de Araujo Lima, do Instituto Nacional do Câncer, esclareceu sobre quando se deve indicar a cirurgia e o professor Rossano Fiorelli, da UniRio, apresentou um recente progresso cirúrgico para retirada da glândula, ainda em estudo experimental.

A reunião concluiu que o procedimento mais adequado é, quando o clínico identificar o nódulo, ou possibilidade de alteração funcional na tireoide, recomendar uma ultrassonografia, com dopler, para avaliar também o fluxo sanguíneo no local. Caso o ultrassonografista diagnostique como uma alteração benigna, não é preciso nem fazer a punção, bastando um controle ultrassonográfico semestral ou anual.

Caso seja uma alteração suspeita, deve ser feita a punção, que trará mais indicadores para determinar a classificação de risco e, consequentemente, a necessidade de retirada cirúrgica da tireoide. O acadêmico Basílio de Oliveira acrescentou ainda que, se os resultados da biópsia forem inconclusivos, é importante que seja aguardado um período de 30 dias antes de uma nova punção, para que os novos resultados não sejam mascarados pelas alterações provocadas no procedimento anterior.

Porém, foi ressaltado no Simpósio que o diagnóstico de malignidade nesta glândula é bastante difícil, sendo necessário levar em conta múltiplos fatores e realizar a ultrassonografia com profissionais bem treinados. “Existem muitos olhos despreparados dando diagnósticos de ultrassom, o que complica muito”, afirmou o Dr. Roberto Araújo. Atualmente, também existe um marcador genético que pode indicar maiores riscos de malignidade, mas o exame é muito caro e ainda está começando a ser feito no Brasil, na cidade de São Paulo.

Além disso, a própria cirurgia é delicada e pode resultar em afasia (perda de voz) do paciente. É justamente nesse ponto que o médico Fiorelli testa uma nova metodologia cirúgica, por meio de incisão na axila e operação por meio de um túnel com CO2 até a tireoide e diminui o tempo operatório em cerca de 50%. O novo método foi testado em animais, cadáveres e em apenas em uma paciente na Alemanha, com sucesso.


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