Academia Nacional de Medicina

Av. General Justo, 365, 7° andar, Rio de Janeiro - 20.021-130 - Tel: (21) 3970-8150
Busca


Anais da Academia

Veja a última edição do
Anais da academia

Quando o sistema imune reage contra o feto

Por que algumas mulheres em idade fértil têm episódios seguidos de abortamentos espontâneos e dificuldade de ter filhos? O chefe da Unidade de Imunologia Clínica e Experimental da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, Luiz Werber-Bandeira, falou sobre o assunto em conferência na Academia Nacional de Medicina, no dia 16 de maio de 2013.

Werber-Bandeira discorreu sobre o grande desafio, em termos imunológicos, de uma gravidez normal. Segundo ele, o feto carrega 50% do antígeno de leucócitos humanos do pai (do inglês, Human Leukocyte Antigen ou mais conhecido entre os imunologistas de HLA) e seria “compreensível” se a mãe reagisse contra esse HLA paterno. Mas não é isso que acontece: durante a gravidez normal, não há rejeição da mãe contra o feto como se este fosse um corpo estranho.

Por esses princípios, a gravidez contraria os conceitos de que o sistema imunológico faz sempre o patrulhamento genético. Assim, a tolerância entre mãe e feto insere em si uma não rejeição, ou seja é um periodo de tolerânia imunitária.

A imunologia da gravidez congrega uma série de eventos sistêmicos e locais na interface entre mãe e feto e, como explicou Werber-Bandeira, tanto um como o outro participam dessa tolerância imunitária, sendo a comunicação entre ambos do tipo bidirecional: de um lado, pela apresentação de antígenos fetais e, do outro, pelo reconhecimento desses antígenos, pelo sistema imune. Na verdade, a mãe sempre reage contra o feto, mas é de uma maneira especial, explicou o médico.

Werber-Bandeira disse ainda que é o inadequado reconhecimento de antígenos do feto pela mãe que pode gerar episódio de abortamento espontâneo. Quando o HLA da mãe é semelhante ao do pai, esse fenômeno pode levar a perda da gravidez. “Quanto mais semelhante geneticamente for o casal, menor a possibilidade de reprodução”, disse. Por isso, é necessária a diferença entre o casal para que a gravidez siga seu curso normal.

O abortamento recorrente atinge uma em cada 300 mulheres grávidas, sendo 1 a 2% sem causa aparente e 50% de causa imunitária. O abortamento espontâneo é considerado quando ocorrem três ou mais falências da gravidez antes da 20 semana de gestação, sendo que a maioria dos casos é de causa desconhecida.

Para evitar novos episódios de abortamento espontâneo, Werber-Bandeira apresentou os procedimentos e resultados da imunoterapia com linfócitos paternos para manutenção da gravidez.

 


Luiz Werber-Bandeira em conferência sobre abortamento espontâneo
Agenda