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Desafios do controle do tabagismo no Brasil

“Eu presenciei algumas episódios que as pessoas aqui reunidas nem imaginam. A campanha de vacinação infantil neste país era financiada pela Souza Cruz. A mensagem da campanha poderia ser: “traga seu filho para vacinar e ganhe um pacote de Free”, mas graças ao compromisso do então Ministro da Saúde, Adib Jatene, houve a quebra do compromisso entre a Souza Cruz e o Ministério da Saúde.” Com essa lembrança, o Presidente da ANM, Marcos Moraes, fez a conferência de abertura da inauguração do Centro de Estudos do Tabaco e Saúde, na Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (Cetab/Ensp).

O Cetab/Ensp será coordenado por Vera da Costa e Silva e foi criado com a finalidade de se tornar um centro de pesquisa, ensino, cooperação técnica e assistência e vai de encontro com as prioridades estabelecidas pelo Brasil na Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco.

Durante sua conferência intitulada “Desafios do controle do tabagismo no Brasil”, o Presidente da ANM mostrou dados relevantes que apontam o tabagismo como responsável por um sexto das mortes não transmissíveis. Segundo ele, 15 mil morrem por dia em virtude do vício tabagista, que se somam as 100 milhões de mortes ocorridas em decorrência do consumo do tabaco no século XX. É impressionante, disse, ver ainda hoje 100 mil jovens começando a fumar, sendo 80% em países em desenvolvimento. O tabagismo é considerado uma doença pediátrica porque 90% dos fumantes começam a fumar antes dos 19 anos, apontou Moraes. “Este é o principal foco da indústria para fidelizar os adictos em tabaco”.

O custo total com doenças relacionadas ao tabagismo nos Estados Unidos é 193 bilhões de dólares ao ano e o país tem uma arrecadação oriunda de impostos relativos a essa indústria de 27 bilhões de dólares. No Brasil, os gastos são da ordem de 10 bilhões de dólares por ano e, por outro lado, o país arrecada 3 bilhões de dólares. “Então é uma balela que se diz que não se pode combater a indústria pois a mesma dá renda ao país. Esta é absolutamente falsa.”

Participaram da inauguração do Centro de Estudos do Tabaco e Saúde, o diretor da Ensp, Antonio Ivo de Carvalho; o diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, José Agenor Alves da Silva; Valcler Rangel, Vice-Presidente de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde da Fiocruz; Claudio Noronha, Coordenador Geral de Prevenção e Vigilância de Câncer do Inca; e Lenildo Moura, coordenador da área de Vigilância de Doenças Crônicas da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde



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