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Células-tronco em pulmões doentes

“Existe perspectiva futura para a terapia com células tronco em doenças respiratórias?” O questionamento foi tema da palestra do dia sete de março, proferida pela acadêmica Patrícia Rocco. A cientista do Instituto de Biofísica da UFRJ conclui que, apesar dos estudos apontarem algumas melhoras, é preciso ter mais cautela e pesquisa básica antes de alcançar a clínica.

Na conferência, a acadêmica explicou sobre diferentes tipos de células-tronco e a forma como se acredita que atuem no tecido lesado, ajudando a reparar a lesão. “Em 2003, todo mundo acreditava que essas células chegavam ao pulmão e, como um passe de mágica, se diferenciava no tecido epitelial pulmonar, que formava miócitos e reparava tudo. Só que até hoje, a gente não demonstrou isso”, explica. “Hoje sabemos que, quando acontece um processo inflamatório, essas células chegam e liberam vários mediadores anti-inflamatórios e fatores de crescimento, que reparam o tecido lesado”.

A pesquisadora apresentou alguns dos resultados de sua equipe para o tratamento de asma, enfisema pulmonar e silicose. No caso da asma, o grupo viu, em modelos animais, que ocorre uma melhora significativa da inflamação independente de ser um pool de células retiradas da medula (e tratadas por algumas horas em laboratório), ou se cultivadas por algumas semanas. Também viram que o processo pode ser realizado com sucesso por injeção intravenosa, de fácil administração. Recentemente, foi iniciado um estudo clínico com 10 pacientes.

Os resultados para enfisema pulmonar indicam que as células-tronco podem melhorar a função cardíaca e que as células mesenquimais do tecido adiposo têm um melhor resultado. O grupo também começará um estudo clínico em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul. “Este grupo, já realiza implantes de válvulas nos pulmões de pacientes com enfisema, mas o tratamento não é totalmente eficiente, por conta do risco de infecções”, afirmou. “Neste caso, esperamos que elas ajudem a diminuir a rejeição às válvulas e também com o efeito bactericida, já conhecido”.

Com relação à silicose, o tratamento funciona bem apenas em animais que apresentam fibrose baixa, mas o que não é o caso da maioria dos pacientes humanos que sofrem desse mal. O efeito benéfico também parece ser só a curto prazo.

“As pesquisas de terapias com células-tronco em doenças respiratórias começaram a partir de 2001. Se a gente for pensar quanto tempo leva para um medicamento novo começar a ser utilizado, demora muito mais do que isso. Portanto, é preciso ter cautela e estudo”, enfatiza. “Acredito que nós temos que estudar mais. A gente tem que entender melhor esses mecanismos de ação, quais são os melhores tipos de células-tronco a serem utilizados, qual a melhor dose, melhor via de administração e qual o melhor momento de transplante.”


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