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Representações de neuropatologias na arte mundial

Na sessão do dia 22 de novembro de 2012 a Academia Nacional de Medicina promoveu a conferência “Neurologia e Neurocirurgia na arte”, proferida pelo Dr. Sebastião Gusmão, professor titular de Neurocirurgia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.

 

Sebastião Gusmão fez um apanhado das patologias neurológicas representadas em obras de arte desde os pré-hispânicos até o século XX: “A anatomia humana sempre foi tema das artes e logicamente a doença, 1ª companheira do ser humano, passou a ser representada também. Muitas vezes, nas obras dos grandes mestres, encontramos manifestações sutis de sinais de doenças.”

 

Os primeiros exemplos citados foram de cerâmicas produzidas por civilizações da América pré-colombiana, que representavam pessoas com paralisias faciais periféricas, só descritas pela comunidade médica no século IX. O museu de Lima, no Peru, também guarda objetos que eram usados para cirurgias cerebrais.

 

Dentre as obras citadas, está uma pequena estela votiva da XVIII dinastia que representa o porteiro de um templo da região de Mênfis, que apresenta uma deficiência física numa das pernas com as características típicas da poliomielite (atrofia muscular do membro inferior associado a pé equino) e que se apoia num longo bastão.

 

Gusmão explicou que na arte grega não era comum a representação de doenças, mas o interesse na realidade do homem é retomado no renascimento – e coincide com o nascimento da medicina moderna. Neste período, diversos artistas representam características neurológicas da anatomia, como o reflexo plantar de Babisnski (uma reação que leva à extensão do 1º dedo do pé, normal em crianças de até dois anos de vida). Outro exemplo está na obra “transfiguração” de Rafael, que mostra um jovem acometido de uma provável crise convulsiva. Também foram de fundamental importância os estudos e desenhos da anatomia humana feitos por Leonardo da Vinci e Vesalius.

 

Foram citados também trabalhos de inúmeros artistas, como Rubens, Aleijadinho, Goya e Frida Kahlo. A pintora mexicana foi acometida de quatro doenças neurológicas – espinha bífida, poliomielite anterior aguda, injúrias da coluna vertebral e dor neuropática - que tiveram fundamental influência em sua obra. “A função da arte talvez seja a de aguçar a nossa mente e nos estimular na procura dos fenômenos da vida”, completou Gusmão. “Talvez seja por isso que geralmente os médicos gostam muito da arte.”



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