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A revolução marrom

Claudia Jurberg

 

“Para falar da medicina e os fundamentos de Hipócrates, é preciso recordar desde 460 anos a.C. e viajar nesse tempo até chegarmos com aquilo que é conhecido entre os patologistas como revolução marrom”, disse o Acad. Carlos Alberto Basílio de Oliveira na abertura de sua conferência na ANM, intitulada "Revisitando a revolução marrom: contribuição da imuno-histoquímica", realizada no dia 04 de outubro de 2012. A medicina com seus 25 séculos atingiu nos seus últimos anos a oportunidade de trazer, através da imuno-histoquímica, o que é somado e aplicado também pela biologia molecular.

 

Entrelaçada por imagens sobre o prédio sede e as obras de arte da Academia Nacional de Medicina, a conferência de Carlos Alberto Basílio trouxe alguns nomes marcantes da patologia. Entre os quais, apontou a importância de Rudolf Virchow como fundador da patologia celular. “Antes de Virchow, era a patologia da necropsia”,disse. Baseado no conhecimento da microscopia, ele criou o termo glia e denominou os tumores da glia de glioblastomas.

 

Segundo o Acadêmico, a anatomia patológica no Brasil começou com Gaspar Vianna. Diferente de outros países, este campo de estudo não começou na universidade, mas no Instituto Oswaldo Cruz, porque lá Carlos Chagas necessitava de conhecimento sobre o Trypanosoma.“A anatomia patológica no Brasil começou por causa da doença de Chagas”, explicou.

 

Santiago Ramón Y Cajal, Claude Bernard, Pierre Masson foram outras autoridades no assunto lembradas pelo Acadêmico Basílio. Segundo ele, Ramon Cajal foi um dos gênios da medicina. Lembrou também de Amadeu Fialho, cujos laudos, na época saiam como interrogações sobre certos tumores. Com o advento da imuno-histoquímica, há 30 anos, isso passou a ser evitado e, por corar todas as células de marrom, a imuno-histoquímica é apontada como a revolução marrom.

 

Hoje, os laboratórios têm à disposição uma série de 180 anticorpos diferentes, 250 tipos marcadores, mas na prática, segundo ele, para resolver as necessidades hospitalares são necessários cerca de 60 a 80 marcadores. E no futuro, teremos marcadores para todos os tumores, finalizou.

 


Carlos Alberto Basílio de Oliveira em conferência na ANM
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