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Cinco visões sobre Insuficiência Renal Aguda

Claudia Jurberg

 

Um mini Simpósio reuniu cinco especialistas em rim na última sessão científica da ANM, realizada no dia 27/09/2012. Inicialmente, o Acadêmico Omar da Rosa Santos falou sobre contribuições da histopatologia na Insuficiência Renal Aguda (IRA). Rosa Santos mostrou dados e características de oito casos entre os 2.637 atendidos entre 1967 e 2011. Casos de nefropatia, edemas, imaturidade glomerular, recuperação de função em casos de diálise, o uso de bombas nas academias de ginástica para fortalecer os músculos e o desenvolvimento de graves danos aos rins que podem levar a insuficiência renal crônica.

 

Em seguida, o Dr. Eugenio Pacelle Queiroz Madeira, professor associado da Escola de Medicina e Cirurgia, mestre e doutor pela UFRJ, abordou a qualidade da urina na Insuficiência Renal Aguda. Dr. Pacelle falou sobre a urina como instrumento de diagnóstico da insuficiência renal aguda e a busca de marcadores. Iniciou sua exposição com um histórico sobre o termo IRA que foi cunhado na década de 50, do século passado.

 

Dr. Maurício Younes-Ibrahim foi o convidado para abordar o tema condutas criticáveis na IRA. Graduado em medicina pela Uerj com doutorado em Sciences de La Vie pela Universite de Paris VI, Younes-Ibrahim abriu sua palestra, falando sobre a composição de 60% de água em nosso organismo.  Lembrou ainda aos participantes a morfologia das cerca de 100 trilhões de células que podem ficar comprometidas diante de situações adversas do meio exterior e que precisam ser mantidas em ambiente adequado para seu funcionamento, conceito este firmado por Claude Bernard, em meados do século XIX. Younes-Ibrahim também falou sobre a integração fantástica do nosso rim, onde o endotélio e o epitélio precisam funcionar em sintonia. E, quando nossa atividade renal, que tem uma taxa de filtração elevadíssima (170 litros/dia) tem qualquer dificuldade de responder ao estímulo de reabsorção no tecido epitelial, transforme, na verdade não numa falência renal aguda, mas num sucesso renal agudo no ponto de vista filosófico para manutenção da vida.

 

Dr. Valdebrando Mendonça Lemos , ex-presidente da Sociedade de Nefrologia do Rio de Janeiro e Livre Docente da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, aproveitou a ocasião para abordar a temática nefrotocidade na IRA. O especialista falou sobre nefropatia induzida por contraste que, segundo ele, faz parte de 10 a 15% das injúrias renais agudas hospitalares. As causas de injúria renal aguda são a perfusão renal (42%), pós-operatório (18%) e a induzida por contraste é a terceira causa. Número crescente de procedimentos, múltiplas comorbidades, grande volume de contrastes coronários complexos predispõem a esse quadro, afirmou Mendonça Lemos.

 

Por fim, o tema abordado pelo Prof. Dr. Walter Luiz Gouvea foi IRA por obstrução genital feminina. Gouvea trouxe dados dos trabalhos desenvolvidos na Unidade II do Instituto Nacional do Câncer em mulheres com carcinoma de colo útero em fase avançada que sofrem dano renal. O especialista mostrou estimativas do câncer de colo de útero no Brasil, onde ainda se constitui um grave problema com a expectativa de 18 mil novos casos em 2012, sendo mais de dois mil no estado do Rio de Janeiro e mais de 700 apenas na cidade. Serão quase cinco mil mortes em todo o país. Segundo o médico, infelizmente o diagnóstico ainda continua a ser feito de forma tardia, embora seja rastreado no Sistema Único de Saúde.

 

De acordo com Gouvea, costuma-se verificar uropatia obstrutiva unilateral ou bilateral em mulheres atendidas na Unidade II do Inca. O especialista, para explicar o que isso significa, fez um paralelo com a imagem de um iceberg, pois segundo ele é uma doença silenciosa e, quando rompe, o horizonte clínico não é bom.

 

Os dados das mulheres tratadas no Inca eram muito ruins, sendo a sobrevida mediana de 41 dias e 70% dessas mulheres vinham a falecer três meses após a diálise. Isso gera um impacto tanto nas finanças do hospital como na equipe de atendimento que se sentia frustrada em não poder oferecer mais, explicou.

 

Então como cuidar dessas pacientes e acolhê-las?, perguntou à plateia. Em seguida, contou sobre a formação de um grupo de trabalho (ginecologia, clínica médica, oncologia, radiologia, urologia e outros como humaniza Inca), em 2009, cujo objetivo foi aprimorar o manuseio dessas pacientes. Foram utilizadas várias estratégias e estabelecer propostas para modificar os processos assistenciais. Depois de dois anos, contou, houve uma queda significativa nos procedimentos de diálise.

 


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