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Cateterismo: Oito décadas de uma história de muitos avanços

 

É tudo começou em 1929. São oito décadas de cateterismo. “Uma história dentro da história” foi o título da conferencia do acadêmico Carlos Antonio Mascia Gottschall, gaúcho de Santa Maria, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

 

Em sua palestra na ANM, no dia 09 de agosto de 2012, Gottschall traçou um panorama histórico sobre os eminentes médicos e pesquisadores que contribuíram para o melhoramento das técnicas que culminaram nos atuais tratamentos cardiológicos.

 

O acadêmico afirmou que o instrumento símbolo da medicina do século XIX foi o estetoscópio. “E nós podemos dizer também que o instrumento símbolo do século XX foi o catéter. O progresso que o estetoscópio trouxe para a medicina clínica só pode ser comparado ao progresso que o catéter trouxe para os estudos da fisiologia, do aperfeiçoamento clínico e da terapêutica em cardiologia e em outras especialidades,” ressaltou.

 

Entre os expoentes que desenvolveram teorias ou técnicas que aprimoraram a medicina, Gottschall citou Harvey Angli e os preceitos de que o sangue circulava. Cerca de 100 anos após esses enunciados, outro importante nome da pesquisa médica foi o químico inglês Stephen Halles, no século XVIII, que conseguiu medir a pressão sanguínea de cavalos. No século XIX, um dos mais geniais fisiologistas foi Claude Bernard. Segundo Gottschall pois, entre outros aspectos, foi o responsável por cunhar o termo cateterismo cardíaco, tentando esclarecer uma querela de muitos tempos de que o coração era o órgão mais quente do corpo.

 

O acadêmico ainda destacou as contribuições significativas para a medicina cardiológica de Auguste Chauveau e Étiènne Marey que elucidaram aspectos da atividade cardíaca, Werner Forssmann que dividiu o prêmio Nobel de 1956 junto com André Cournand e Dickinson Richard por terem desenvolvido procedimentos que permitiram o cateterismo cardíaco. Otto Klein (1930) outro pioneiro da cardiologia também foi citado, assim como os avanços da década de 50 quando surgiu o método de Seldinger, utilizado até hoje.

 

Entre outros fatos marcantes dessas oito décadas nos avanços terapêuticos e cirurgicos em cardiologia, Gottschall ainda ressaltou os estudos de Rashkind e Miller sobre cardiopatias congênitas, O médico americano Mason Sones foi outro pioneiro  quando esmiuçou avanços em coronariografia. O conferencista também falou sobre a importância do Dr. Andréas Gruentzig, sendo considerado precursor da técnica de angioplastia percutânea com um balão desenvolvido por ele. E por fim, falou sobre o Guia de Simpson que passava por cima do balão desenvolvido por Gruentzig e permitia atingir locais periféricos, ser dirigido, atingir bifurcações. “ Enfim, ajudou a chegar mais longe e ter mais escolhas”, disse. Por último, Gotschall abordou a revolução dos stents, tanto os de primeira como os de segunda geração.