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A loucura de Hamlet

“Talvez possa parecer estranho que se fale sobre Hamlet numa Academia Nacional de Medicina. Em realidade, não é sobre Hamlet, mas as loucuras em Hamlet”, disse o acadêmico e psiquiatra Eustachio Portella Nunes Filho durante abertura de sua conferência na sessão científica realizada no dia 12 de julho de 2012.

 

Eustachio Portella falou da falsa e da real loucura em Hamlet. Na peça, a falsa loucura tinha por objetivo obter dados que incriminassem o rei, tio de Hamlet, pela morte do seu pai e por ter se apoderado também de sua mãe. Sendo esta uma loucura fingida, mas com finalidade de arquitetar um plano de vingança, é necessariamente uma loucura com método, explica o acadêmico.

 

A loucura real na peça é incorporada por Ofélia, filha do criado Polônio, e está entre os casos de psicose mais marcantes na obra de Shakespeare. Sua loucura acaba por se desenvolver pela trama dos personagens e as mensagens contraditórias que recebe do seu pai, irmão e do próprio Hamlet. O pai e irmão proíbem-na de aceitar a corte de Hamlet. Por outro lado, esse mesmo pai aponta que a loucura de Hamlet é consequência da rejeição de Ofélia a Hamlet.

 

Segundo Eustachio Portella, Hamlet foi escrita em 1602 e, nesses mais de 400 anos, é a peça mais encenada em todo o mundo, o que acabou por gerar um impacto grande em diversas sociedades que transcendem épocas. De tão marcante, o personagem transformou-se em ícone dando nomes a praças, teatro e outros espaços culturais em todo o mundo, lembrou Portella. Sua figura, sem dúvida, é marcante e converteu a história numa das obras primas, ou talvez a mais conhecida dentre as 38 ou 39 escritas por Shakespeare, disse.

 

“Shakespeare não tinha aproximação com o ser humano que fosse só bonzinho. Ele não acreditava nisso. Eu também não acredito, mas não importa”, disse Portella. “O que vale nessa peça é como os personagens são apresentados, como são vividos, suas características. Todos apresentam aspectos bons e maus. O autor dá destaque para os lados positivo e negativo das pessoas. Em Hamlet, há esse aspecto altamente negativo que foi como o personagem principal se apresenta, como louco, à Ofélia. É essa loucura estranha, mas rica que também precisa ser conhecida por todos os médicos, inclusive os da Academia Nacional de Medicina”, finalizou Portella.

 



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