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Samir Rasslan assume Cadeira 63

No dia 03 de julho, o médico Samir Rasslan foi empossado Membro Titular da Academia Nacional de Medicina e passa a ocupar a cadeira 63, na Secção de Cirurgia, cujo Patrono é Vicente Cândido Figueira de Saboia. Durante a cerimônia, foi saudado pelo Acadêmico Professor Pedro Monteiro Sampaio que, iniciou seu discurso, lembrando filósofos como Schopenhauer, Nietzsche e Sartre. Pedro Sampaio destacou o que para ele é um ideal elevado tendo como motivação “apenas o bem conviver, o aprender e compartilhar ideias, pois essa é uma das forças que move a Academia”, disse.

 

Ao recordar a trajetória do novo acadêmico, Pedro Sampaio afirmou que em seu percurso ao longo da vida, Rasslan distinguiu-se em vários momentos. Filho de Aniz Rasslan e Cremilda Fernandes Rasslan, o acadêmico nasceu em Dourados, no Mato Grosso do Sul, em 1944, mas cedo se mudou para um colégio Presbiteriano, no interior de São Paulo. Já na capital, graduou-se em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas, da Santa Casa de São Paulo (1968), concluiu o Mestrado em Medicina, em 1977, o Doutorado em 1978 e ainda tornou-se professor Livre Docente em Clínica Cirúrgica, em 1982.

 

Rasslan foi Professor Titular do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, entre 1992 a 2010 e, desde 2005, é Professor Titular do Departamento de Cirurgia - Disciplinas de Cirurgia Geral e do Trauma da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), contou Pedro Sampaio. Atualmente, também ocupa o cargo de Diretor da Divisão de Clínica Cirúrgica, do Instituto Central do Hospital das Clínicas da FMUSP, onde também é membro do Conselho Diretor. Supervisiona o Programa de Residência Médica em Cirurgia Geral e é Professor orientador do Curso de Pós-Graduação stricto senso em Clínica Cirúrgica.

 

O novo acadêmico pertence a inúmeras sociedades médicas brasileiras como o Colégio Brasileiro de Cirurgiões, a Associação Paulista de Medicina, a Associação Médica Brasileira, a Federação Brasileira de Gastroenterologia. No exterior, participa do American College of Surgeons, e é membro da Associação Americana de Cirurgia do Trauma, além de outras sociedades no Peru, Colômbia, Uruguai, Paraguai e Cuba.

 

Entre suas contribuições científicas, escreveu mais de 200 artigos em revistas médicas, 192 capítulos de livros, apresentou cerca de 420 trabalhos em congressos médicos, entre outros expressivos números resultantes de pesquisa.

 

Em seu discurso, Rasslan destacou que recebia a honraria de forma gratificada, mas ciente das responsabilidades que representa pertencer a mais antiga instituição cultural e científica da América Latina. “Ingressar na Academia Nacional de Medicina é um feliz momento da minha carreira e, sem dúvida, um extraordinário privilégio”, disse.

 

Como já é tradição na ANM, o novo Acadêmico pinçou aspectos marcantes da vida de todos os ocupantes da Cadeira 63.  Segundo ele, “sempre figuras exponenciais da medicina brasileira.”

 

Rasslan destacou primeiro o acadêmico Carlos Antonio Barbosa Montenegro que passou a Emérito em 2012, abrindo a vaga que permitiu que ocupá-la. Anteriormente, os acadêmicos foram Jorge Fonte de Rezende, marco da obstetrícia nacional; Aquiles Ribeiro de Araújo foi eleito em 1927, tendo sido um dos fundadores do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. Já Anísio de Castro Peixoto foi eleito em 1901 e Madame Durocher  foi a primeira mulher a ingressar na Academia e, por fim, falou do Patrono.

 

O Patrono da Cadeira 63 – Vicente Cândido Figueira de Saboia nasceu em Sobral (CE) em abril de 1836 e faleceu em Petrópolis (RJ) em março de 1909. Filho do Coronel da Guarda Nacional, José Saboia, e de Joaquina Inácia Figueira de Melo Saboia, Vicente Cândido formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde doutourou-se em 1858. Foi Catedrático de Clínica Cirúrgica em 1871, tendo lecionado por mais de 20 anos. Diretor da Faculdade de Medicina em 1881, cargo que exerceu por oito anos, e durante o qual foi incumbido pelo Governo de então a preparar um plano completo de reforma do Ensino Superior, que serviu de base para o Decreto lançado em 1879.

 

Além de membro da ANM, Cândido Figueira pertenceu, durante sua vida, a diversas sociedades científicas, entre as quais, foi sócio correspondente da Academia Cearense de Letras, do Instituto do Ceará, da Real Academia de Medicina de Roma, da Sociedade de Cirurgia de Paris, da Sociedade de Obstetrícia de Londres, da Academia de Ciências de Lisboa e um dos primeiros conselheiros da Ordem Médica Brasileira.