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A ciência dos últimos 60 anos

O presidente do CNPq, Glaucius Oliva, falou em sessão científica da Academia Nacional de Medicina sobre o impacto da ciência e tecnologia no país nos últimos 60 anos. Em sua conferência, Oliva relembrou importantes marcos, desde a criação do CNPq, pelo Almirante Álvaro Alberto, em 1951, quando estavam presentes representantes das Academias Brasileiras de Ciência e Nacional de Medicina. Não foi, segundo ele, uma conquista fácil, pois desde 1916, a comunidade científica pressionava os governantes por uma agência de fomento que estimulasse a pesquisa brasileira. Na ocasião, o país era identificado como uma nação pobre e, por outro lado, a tecnologia era tida como algo muito dispendioso. Portanto, para os governantes daqueles tempos, disse, o país deveria importar C&T.
 
Professor Titular do Instituto de Física, da Universidade de São Carlos, Oliva mostrou características do cenário brasileiro daqueles tempos. Só para se ter uma ideia, contou que o país era importador de alimentos. “Estávamos num programa USAid de distribuição de leite para países pobres; existiam, na ocasião, apenas cinco instituições que se denominavam universidades e, em virtude disso, havia pouquíssimos grupos de pesquisa científica. Por outro lado, 85% da nossa população viviam em zona rural que se somava a um passivo educacional extraordinário”, afirmou.
 
Com uma mensagem bastante positiva, Oliva deu um salto no tempo e apresentou dados substanciais que indicam o crescimento da ciência nacional nesses últimos 60 anos, mostrando o papel transformador dessa ciência como base da riqueza nacional. Entre os exemplos, Oliva citou o crescimento da Petrobras que, até a década de 70, tinha uma contribuição mínima no panorama mundial da produção de óleo e gás. “Com a criação do Cenpes, no seio de uma grande universidade brasileira que é a UFRJ e, com a aproximação de especialistas na área da pesquisa, os resultados passaram a ser expressivos: hoje somos líder mundial em prospecção de óleo e gás em águas profundas”, disse.
 
Outro exemplo, segundo ele, começou a ser gestado no fim da segunda Guerra com um grupo de lideranças da força aérea nacional que identificou a necessidade do país em ter autonomia nesse campo. Esses grupo foi buscar apoio no MIT, nos Estados Unidos, com o chefe do setor de Engenharia Aeronáutica que sugeriu a criação de uma escola civil para a área e, assim, surgiu o Instituto de Tecnologia Aeronáutica e, 15 anos depois, grudado na cerca do ITA iniciaram-se as atividades da Embraer que hoje é a terceira empresa mundial do ramo, atrás apenas da Boing e da Airbus.
 
E um terceiro exemplo que é a Embrapa que surgiu de uma série de boas escolas de agricultura como a Esalq, o Instituto Agronômico de Campinas, a Escola Agrícola de Viçosa, entre outros. “Só conseguimos dar um salto de produção alimentícia com uma empresa voltada para um nicho específico - o que nos ajudou a nos tornarmos hoje o segundo maior exportador de alimentos para o mundo. Só para relembrar, há 60 anos, importávamos alimento”, concluiu.
 
Oliva ressaltou ainda que a transformação do país aconteceu pois fomos capazes de aproveitar o conhecimento e traduzi-lo em desenvolvimento. Hoje, segundo ele, o desafio é transformar C&TI como eixo estruturante do desenvolvimento brasileiro.
 
Glaucius ainda apresentou dados animadores sobre investimentos do atual governo na pesquisa nacional, e destacou o projeto Ciência sem Fronteiras que prevê o envio de 100 mil estudantes de determinados cursos de graduação, mestrado, doutorado e pós-doutorado para o exterior. “Temos que perder o medo de focar nossos investimentos. Nem tudo deve ser isonômico, igual para todo mundo, precisamos sim ter planejamento estratégico.” disse.


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