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Semelhanças e diferenças na saúde das Américas

         Médicos de 12 Academias de Medicina das Américas estiveram reunidos no Rio de Janeiro, entre os dias 03 e 05 de maio de 2012,  para participar do Workshop regional “Non Communicable Diseases”. Durante o primeiro dia do evento, o acadêmico Eduardo Moacyr Krieger, um dos organizadores, falou sobre a importância da integração das academias através do esforço da Federação de Academias de Medicina. “O fato relevante, ao pensarmos este evento, foi promover a união e a colaboração entre as academias do hemisfério. A ideia é discutirmos as doenças não-transmissíveis como as cardiovasculares e alguns tipos de câncer. Não tem sentido que as academias não colaborem entre si e não saibam o que se faz em cada país”, disse Krieger.
 
            Os acadêmicos, Marcelo Elizari, da Argentina, Luis Alberto Maldonado, da Bolívia, Benjamin Stockins, do Chile, Trevor Alleyne, de Trinidad Tobago, coordenados pela malasiana Lai-Meng Looi abordaram aspectos relativos às doenças cardiovasculares em seus países, os fatores de risco como tabagismo, sedentarismo e alimentação inadequada, quais estudos epidemiológicos são conduzidos, as políticas adotadas e o que mais deveria ser feito para reduzir os índices de mortalidade pela doença. Um dos exemplos discutidos foi o da Bolívia, Embora no país as doenças cardiovasculares sejam a terceira causa de morte, nos últimos 10 anos o número de pacientes quadruplicou. Também participou dos debates iniciais o ex-ministro brasileiro da saúde, Adib Jatene.
 
            Jatene iniciou sua conferência mostrando a importância epidemiológica das doenças cardiovasculares tanto no Brasil, onde é responsável pela maioria dos óbitos, como também no mundo. Por isso, segundo ele, as medidas de prevenção são fundamentais, especialmente para os indivíduos de alto risco. “Neste campo, existem alguns mitos que precisam ser desfeitos. Primeiro, que são problemas apenas de países desenvolvidos. Segundo, que é um problema de saúde de pessoas ricas. E terceiro, que as doenças infecciosas afetam mais que as doenças cardíacas. Essas três alternativas são falsas”. Jatene apresentou ainda dados da organização Mundial da Saúde, mostrando que as 17 milhões de mortes que ocorrem no mundo pelas doenças cardiovasculares representam 30% dos óbitos anuais - maior do que a soma das mortes por Aids, doenças pulmonares e câncer. “Se não forem tomadas atitudes para reverter esse quadro, em 2020, estaremos diante de uma verdadeira epidemia”, disse o acadêmico. O perfil de risco para as doenças cardiovasculares tem aumentando com a urbanização, o estresse emocional, o tabagismo, a dieta gordurosa e a diminuição de atividades físicas.
 
            Para encerrar o dia, o acadêmico brasileiro José Rodrigues Coura, fez uma conferência intitulada “Amazônia brasileira: uma nova fronteira para a saúde e educação”.  Um dos grandes problemas da Amazonia brasileira, segundo ele, é a ocupação desordenada com uma migração de pessoas de diferentes culturas o que dificulta ainda estratégias de saúde e educação, além do risco de desertificação e a cobiça internacional. O acadêmico falou sobre os desafios em uma região de 5 milhões de quilometros quadrados que representam 58% do território brasileiro, onde ainda há o maior complexo fluvial do mundo. “A água doce é o diamante do futuro”, afirmou.
 
            Durante sua exposição, Coura falou sobre as várias incursões de saúde àquela região desde Oswaldo Cruz (1910-1912) e Carlos Chagas (1912-1913) até as décadas mais recentes, quando a Fundação Oswaldo Cruz implantou inicialmente um escritório na região, em 1994 e, posteriormente, o Centro de Pesquisas Leonidas e Maria Deane. O pesquisador ainda abordou a implantação de um laboratório em Barcelos, por seu grupo de pesquisa há 20 anos. O acadêmico ainda relatou as doenças mais frequentes na região desde o relatório Carlos Chagas. Daqueles tempos, malária, leishmaniose, a purú-purú - uma doença desconhecida -, sífilis, lepra, ancilostomose, o mal das cadeiras - que não se vê mais -, desinterias e relatos sobre alcoolismo. Nos dias atuais,  citou doenças que ainda persistem como a malária, gastroenterites, leishmanioses e o alcoolismo, sendo este um problema grave de saúde e outras atuais como a dengue, oncocercose, hepatites virais.
 
            Por fim, abordou a importância de projetos de vigilância como o Sivam/Sipam e concluiu com  propostas para uma educação em saúde mais eficiente com reciclagem dos professores, engajamento das universidades estaduais, descentralizando o ensino para regiões mais remotas, ou seja, um projeto educacional inspirado em Paulo Freire, visando as características da região Amazônica.     


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