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Posse no Museu Histórico Nacional

      O médico José Osmar Medina Pestana foi empossado como membro Titular da Academia Nacional de Medicina, na Secção de Medicina, no dia 10 de abril de 2012, tendo como Patrono Antônio Fernandes Figueira.
       Durante a cerimônia que se realizou no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, Medina recebeu o diploma das mão do acadêmico Antônio Medina e foi saudado pelo acadêmico Rubens Belfort Jr.
       Em seu discurso, Belfort ressaltou a trajetória do novo acadêmico, o que contribuiu para que vencesse, segundo ele, “o difícil, complexo e multifacetado processo de seleção que consiste não apenas na análise fria de memorial, mas a análise do ser humano como um todo. A competência médica é critério mínimo de inclusão, mas o candidato também deve apresentar preparo técnico e em pesquisa, além de reputação internacional que o projete como liderança na sociedade.” Belfort ainda destacou em seu discurso que Medina é, sem dúvida, um gigante na área de transplantes renal, mas não só isso, pois também tem liderança na área de bioética. “Simplificador, realizador, líder que sabe maximizar e discutir ideias como os grandes, não fatos como os mediocres ou pessoas como os pequenos”, finalizou o acadêmico
     Desde 1990, Medina é chefe da divisão de transplante renal da Universidade Federal de São Paulo. Atualmente, é professor Titular de nefrologia e responsável pelo maior programa de transplante renal do mundo - realizando mais de 400 transplantes por ano desde 1999, sendo que apenas no ano de 2011 houve um salto enorme com a realização de 1.030 novos transplantes.
      Medina, em seu discurso de posse, destacou o significado da cerimônia e dessa nova etapa em sua vida, que muito o honra e o orgulha. Aproveitou a ocasião para agradece aos companheiros e familiares e lembrar aspectos da história dessa quase bicentenária instituição “Menos de 700 médicos alcançaram o privilégio de ocuparem uma das suas 100 cadeiras. Entendo a responsabilidade de ocupar a cadeira 50, cujo patrono Antônio Fernandes Figueira e meus antecessores, todos, médicos desacomodados e empreendedores que dedicaram coragem a sua rotina”, ressaltou.
       Trajetória - O novo acadêmico é presidente da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos. Desde 2004, é membro do Royal College of Surgeons, no Reino Unido. Também realiza trabalho voluntário médico, em sua cidade natal, Ipaussu (SP), onde, na juventude, foi torneiro mecânico antes de ingressar na Escola de Medicina em São Paulo. O curso de medicina foi concluído em 1979. Logo após concluir seu doutorado, em 1987, Medina mudou-se para Cleveland, nos EUA, onde trabalhou com Donald Steinmueler, como nefrologista no transplante clínico. Em 1989, transferiu-se novamente, desta vez para Oxford, no Reino Unido, a fim de fazer pesquisa experimental de transplante, com Peter Morris e Margaret Dallman.
      Nos últimos 15 anos, o novo acadêmico publicou 110 trabalhos internacionais. As duas principais publicações são uma na The Lancet sobre Doação de órgãos no Brasil, e outra na Transplantation, intitulada "Organization of the high-volume kidney transplant program – The Assembly Line Approach”.
      Desde 2005, dedica parte do seu tempo à orientação de estudantes de medicina de baixa renda e também ao desenvolvimento de programas para incentivar a doação de órgãos.
      História – O patrono da cadeira 50, Antônio Fernandes Figueira, nasceu em 1863, no Rio de Janeiro. Filho de pais pobres, órfão de mãe logo ao nascer, adotou a pediatria quando morou no interior do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Durante esses anos, publicou seu primeiro livro e artigos relacionadas à saúde infantil, dentre os quais o “Diagnóstico das cardiopatias infantis”, que lhe valeu o Prêmio Visconde de Alvarenga, da Academia Nacional de Medicina.
      Em 1900, concluiu sua célebre obra “Elementos de Semiologia Infantil”, que, publicada em francês (1903), projetou seu nome em todo o mundo. Fernandes Figueira, foi admitido, em 1903, como Titular da Academia Nacional de Medicina. Convidado por Oswaldo Cruz entrou para a Saúde Pública. Na ocasião, dirigiu a enfermaria de doenças infecciosas de crianças do Hospital São Sebastião. Na oportunidade, introduziu a prática de internar crianças com suas mães, uma ideia revolucionária para aqueles tempos, visando diminuir as altas taxas de mortalidade infantil. Fernandes Figueira faleceu no dia 12 de março de 1928.